Avaliação Cardiológica

avaliação cardiológica

Avaliação clínica antes de atividades físicas

Com frequentes casos de morte-súbita durante realização de atividades físicas, surgem alguns questionamentos: Todo indivíduo precisa de avaliação cardiológica antes de iniciar atividade física? É preciso realizar exames complementares? História familiar de morte súbita aumenta o risco? Tanto a American Heart Association, como a Sociedade Europeia de Cardiologia e a Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte são concordantes em recomendar a avaliação clínica pré-participação (APP) para todos os atletas profissionais. Também encontra indicação para a correta prescrição de exercícios em esportistas não profissionais, mas que realizam atividades em alta intensidade.

Atualmente, a principal discussão na aplicação da avaliação clínica pré-participação são os custos envolvidos nessa avaliação. Devido à baixa prevalência de condições capazes de desencadear morte súbita durante atividades esportivas e a grande população de praticantes existentes no país, muito tem se debatido sobre qual seria o modelo de avaliação com melhor custo-benefício. Em 2013 a Sociedade Brasileira de Cardiologia, em associação com a Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte, publicou a diretriz em Cardiologia do Esporte e do Exercício. Nessa documento, temos as recomendações de avaliação clínica para atletas, paratletas, esportistas, crianças, adolescentes e portadores de cardiopatias. Em nosso artigo, focaremos a discussão na avaliação de esportistas, grupo caracterizado por indivíduos adultos que praticam atividades físicas e esportivas de maneira regular, de moderada a alta intensidade, competindo eventualmente, porém sem vínculo profissional com o esporte.

A avaliação clínica pré-participação (APP) para atividades físico-esportivas deve ser entendida como uma avaliação médica sistemática, uniformizada, capaz de abranger a ampla população de esportistas e atletas antes de sua liberação para treinamento físico. Tem como proposta identificar, ou pelo menos aumentar, a suspeita de doenças cardiovasculares que sejam incompatíveis com a realização de atividades físicas de alto rendimento. Esta avaliação deve ser realizada previamente ao início da atividade física e periodicamente com sua manutenção.

O ideal é que todo indivíduo candidato à prática de exercícios ou esportes em nível moderado / elevado de intensidade, seja submetido, obrigatoriamente, a um exame médico que permita a detecção de fatores de risco, sinais e sintomas sugestivos de doenças cardiovasculares, pulmonares, metabólicas ou do aparelho locomotor.

Devemos ficar atentos a casos de morte súbita ou cardiopatias congênitas na família; história familiar para anemia falciforme ou outras hemoglobinopatias; procedência de áreas endêmicas para doença de Chagas ou regiões nas quais haja maior prevalência de doenças congênitas. Deve-se ter especial cuidado na obtenção de informações que possam levar ao esclarecimento do uso de drogas lícitas ou ilícitas que possam ser consideradas como doping, mesmo que de forma involuntária, ou que sejam prejudiciais à saúde ou possam causar morte súbita.

Entre os sintomas, devem chamar nossa atenção as palpitações, síncope (desmaio), dor precordial ou desconforto torácico; dispneia (falta de ar) aos esforços; tontura/lipotimia; astenia; ou qualquer outro sintoma desencadeado pelo exercício.  Quanto à síncope no atleta, é necessária uma investigação detalhada, pois, até prova em contrário, deve ser encarada como um episódio de morte súbita abortada espontaneamente.

Merecem destaque algumas condições clínicas como: anemia; alterações posturais; focos infecciosos (dentários, por exemplo); doenças sistêmicas ou infecciosas graves; asma brônquica, obesidade, diabetes mellitus; hipertensão arterial sistêmica; alterações da ausculta pulmonar e cardiovascular; e situações especiais como a gravidez.

Quais exames são indicados?

Exames laboratoriais, radiografia de tórax, ECG de 12 derivações, teste de esforço ou ecocardiograma podem ser solicitados após avaliação média e  fornecer informações relevantes sobre doenças cardiovasculares, doenças pulmonares e doenças do arcabouço torácico.

A utilização de outras ferramentas diagnósticas, sejam métodos laboratoriais, gráficos, de imagem, invasivos ou não, devem obedecer a critérios clínicos e evidências científicas já estabelecidas na literatura, em função dos achados no decorrer da avaliação clínica pré-participação. Reiteramos, então, que  todo indivíduo candidato à prática de exercícios ou esportes em nível moderado/elevado de intensidade, seja submetido, obrigatoriamente, a um exame médico.

A realização de exames complementares dependerá da história clínica (idade, antecedentes médicos pessoais e familiares, epidemiologia, hábitos de vida, etc.) associada a presença ou não de achados ao exame físico. Não há dúvidas sobre os benefícios do exercício físico para a saúde e qualidade de vida. Porém, com atitudes preventivas, reduziremos riscos de eventos adversos no desenvolvimento de atividades.

Fonte: Diretriz em Cardiologia do Esporte e do Exercício da Sociedade Brasileira de Cardiologia e da Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte – 2013

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