Constipação e microbiota intestinal

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Constipação e microbiota intestinal

A constipação intestinal funcional é uma doença crônica que afeta cerca de 14% da população mundial sendo duas vezes mais prevalente e sintomática em mulheres. Sua frequência aumenta com a idade, principalmente após 65 anos, e grandes quantidades de recursos são gastos para o seu diagnóstico e tratamento. Além disso, as terapias disponíveis geralmente são insatisfatórias em aproximadamente 1/3 dos pacientes.

Segundo os critérios diagnósticos mais recentes para constipação funcional (ROMA IV de 2016), os pacientes devem apresentar dificuldade de defecar com esforço evacuatório, alteração da consistência das fezes (endurecidas), redução da frequência das evacuações (menos que 3 vezes por semana) e sensação de esvaziamento incompleto, com sintomas presentes por pelo menos 3 meses nos últimos 6 meses. Pode haver também dor e distensão abdominal, porém não devem preencher critérios para a Síndrome do Intestino Irritável (SII).

Alguns estudos mostram que a doença pode ser consequência da disbiose intestinal, com aumento de microorganismos potencialmente patogênicos e diminuição dos potencialmente benéficos. Essas alterações podem afetar a motilidade do intestino grosso e suas funções secretoras, alterando o ambiente metabólico e a quantidade de substâncias fisiologicamente ativas disponíveis no cólon.

A ingesta de fibras solúveis com efeitos prebióticos (como inulina e frutooligossacarídeos), pode estimular o crescimento de bactérias benéficas e lactobacilos no cólon. A ingestão oral, em concentrações adequadas, de tipos específicos desses lactobacilos e outros microorganismos vivos, genericamente definidos como probióticos, vem sendo associada com benefícios para a saúde: melhorias nos movimentos intestinais, permeabilidade e perfil microbiano, melhora da barreira imune intestinal e até prevenção do câncer de cólon.

A combinação de cepas probióticas e fibras prebióticas pode fornecer efeitos aditivos e são denominados simbióticos. A ingestão destes simbióticos mostrou modificar a composição da microbiota e restaurar o equilíbrio microbiano intestinal com efeitos positivos sobre as funções gastrointestinais.

Estudo publicado na revista Clinical Nutrition em 2013 avaliou os efeitos de um simbiótico na constipação crônica em mulheres com tal distúrbio e analisou os seguintes parâmetros em: (1) frequência das evacuações e consistência/forma das fezes; (2) sintomas abdominais; (3) estados de constipação de acordo com um sistema de pontuação padrão. Neste estudo, os pacientes apresentaram aumento da frequência, consistência e forma das fezes mais próxima dos parâmetros normais, quando comparados com placebo, sendo estes benefícios iniciados já durante a segunda e terceira semanas, respectivamente. Não houve, porém, diferenças significativas nos sintomas abdominais.

Nos casos de constipação funcional, diversos outros fatores podem ainda estar envolvidos, como por exemplo envelhecimento, depressão, sedentarismo, uso de medicações, abuso físico e sexual.  É importante salientar que a constipação pode se tratar de um distúrbio orgânico e assim estar associada a doenças, como neoplasias, doenças endócrinas, neurológicas, etc. A distinção entre os dois é de extrema importância para o adequado tratamento e melhoria da qualidade de vida.

Dra. Camila Medrado –  Médica Gastroenterologista

CRM-BA 23856

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