O que há de novo na avaliação dos nódulos da tireoide?

Nódulo tireoidiano

Os nódulos da tireoide são muito comuns na prática clínica, podendo representar a manifestação de diversas doenças da tireoide, desde inflamação até tumores (neoplasias).

Sua prevalência na população geral varia de 10 a 41%, sendo mais frequente no sexo feminino e na terceira idade. São benignos em mais de 90% dos casos, geralmente representando adenomas e nódulos adenomatoides.

Os nódulos tireoidianos são comumente assintomáticos e de crescimento lento, com sua grande maioria descobertos incidentalmente em exames de imagem, sendo assim conhecidos como “incidentalomas”.

Alguns fatores clínicos estão relacionados com risco aumentado para malignidade de um nódulo tireoidiano:

– Faixa etária do paciente abaixo de 20 anos ou acima de 60 anos;

– Crescimento acelerado do nódulo em um curto intervalo de tempo;

– Consistência endurecida;

– Fixação a estruturas vizinhas;

– Gânglios aumentados de tamanho no pescoço.

 

Como vou saber se um nódulo tireoidiano é benigno ou maligno?

 

O procedimento de escolha para se investigar a natureza de um nódulo é a Punção Aspirativa com Agulha Fina (também conhecida como PAAF). Contudo, como a imensa maioria dos nódulos são benignos, a PAAF só vai ser indicada para um número muito pequeno de pacientes que apresentam nódulos com características suspeitas ao exame clínico e ao exame ultrassonográfico.

 

Quais características de um nódulo são consideradas suspeitas ao ultrassom?

 

Vários são os critérios para esta análise, sendo que nenhum desses parâmetros isoladamente é capaz de prever natureza benigna ou maligna do nódulo. O ultrassom pode caracteriza os nódulos tireoidianos quanto número, localização, forma, conteúdo, ecogenicidade, contornos, presença de calcificações e vascularização quando associado ao estudo com Doppler.

Algumas características são consideradas mais suspeitas, como:

  • Marcadamente hipoecogênico;
  • Microcalcificações;
  • Margem irregular ou microlobulada;
  • Diâmetro transversal menor que ântero-posterior;
  • Invasão de estruturas vizinhas.
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Nódulo espongiforme

 

 

Outros aspectos são praticamente relacionados a benignidade em 100% dos casos, como o cisto coloide e o nódulo espongiforme.

 

Então quando está indicada a punção de um nódulo?

 

A tomada de decisão quanto a necessidade da punção geralmente é feita pelo médico endocrinologista, com base nos dados clínicos do paciente e pelos achados do exame de imagem.

O TI-RADS é um sistema de laudo criado pelo Colégio Americano de Radiologia, que tem como objetivo padronizar as recomendações de quando de indicar a PAAF ou acompanhamento de nódulo suspeitos ao ultrassom, e quando não intervir em nódulos considerados benignos ou não suspeitos (a semelhança do BI-RADS que é utilizado para a mama).

Cada característica do nódulo ao ultrassom recebe uma pontuação, variando de 0 (não suspeito) a 3 (suspeito). Posteriormente a soma dessa pontuação irá determinar a categoria TI-RADS (TR) do nódulo:

ultrassonografia da tireoide

-TR 1: 0 pontos

  • Benigno

-TR 2: 2 pontos

  • Não suspeito

-TR 3: 3 pontos

  • Levemente suspeito

-TR 4: 4-6 pontos

  • Moderadamente suspeito

-TR 5: > ou = 7 pontos

  • Altamente suspeito

De acordo com a categoria e tamanho do nódulo, o médico assistente poderá indicar a PAAF ou seguimento de um nódulo suspeito (categorias TI-RADS 3, 4 e 5). Os nódulos classificados nas categorias 1 e 2 são considerados benignos ou não suspeitos e não necessitam PAAF ou mesmo acompanhamento regular com ultrassonografia.

 

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Dr. Assuero Azevedo – Radiologista – CRM BA 23501

Dra. Lorena Cavalcante – Endocrinologista – CRM BA 23446