Obesidade e Hipertensão arterial em Crianças

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Obesidade, colesterol elevado e hipertensão arterial na criança: qual o papel do exercício físico nessas condições?

As mudanças no estilo de vida em crianças e adolescentes são extremamente difíceis, pois requerem alterações aos hábitos de toda a família, sendo fundamental conscientizar a criança e/ou o adolescente e seus familiares acerca da necessidade de tratar uma doença assintomática. É essencial iniciar alguma atividade física regular, principalmente para as crianças sedentárias, obesas ou com sobrepeso, e restringir o tempo perdido em frente às telas (TV, computador, tablet, celular).

Os benefícios da atividade física não estão limitados a indivíduos adultos, já que a realização de atividade física de forma regular pelas crianças e adolescentes ajuda a construir e a manter articulações, músculos e ossos saudáveis; ajuda no controle do peso, reduzindo a gordura e aumentando a massa muscular; previne ou retarda o desenvolvimento de hipertensão arterial sistêmica e ajuda a reduzir os níveis de pressão arterial em adolescentes hipertensos, além de reduzir os sentimentos de depressão e ansiedade. O incentivo à adoção de um estilo de vida ativo deve iniciar-se o mais precocemente possível, mantendo-se por toda a adolescência até a vida adulta.

Como orientação geral, as crianças saudáveis devem ser encorajadas a praticar atividade física, de forma prazerosa, no lazer ou sob a forma de exercícios físicos programados ou em atividades esportivas, no mínimo trinta minutos por dia, três a quatro vezes por semana, para adquirir aptidão física (“fitness”). As necessidades individuais deverão ser respeitadas, no que diz respeito ao gênero, idade, grau de maturação sexual, presença de limitações físicas ou mentais que impeçam a realização de exercícios, nível econômico, bem como fatores familiares e do ambiente da criança.

E como a família pode ajudar?

A família desempenha um papel crítico na formação da criança para a atividade física, pois as primeiras oportunidades e motivações para que alguém se torne fisicamente ativo começam em casa. O nível de atividade física dos pais relaciona-se positivamente com a atividade dos filhos na fase pré-escolar e na adolescência. A ajuda e o incentivo dos pais, quer na organização de atividades ou facilitando o transporte dos filhos e o acesso dos mesmos às atividades escolhidas, também apresentam relação positiva com a atividade física dos jovens.

Como recomendações à família, citamos:

  • Encorajar as crianças e os adolescentes para a prática regular de atividade física, ajudando-os a engajar-se em atividades prazerosas, na escola ou na comunidade;
  • Planejar e participar de atividades familiares que envolvam atividade física, em festas familiares, passeios ou viagens de férias, por exemplo;
  • SER MODELO de um estilo de vida ativo, oferecendo aos filhos oportunidades de aumentar continuamente a atividade física;
  • Estabelecer limites de tempo para as atividades que não exigem gasto energético;
  • Reivindicar a criação de programas de atividade física de qualidade na escola e na comunidade;
  • Participar da escolha de locais para a realização de atividade física que possuam as condições físicas, climáticas, de segurança e de equipamentos necessárias.

A escola também pode ajudar!

As escolas e a comunidade têm, potencialmente, a capacidade de melhorar a qualidade da promoção à saúde das crianças e adolescentes por meio da criação de programas e serviços que promovam a educação dos jovens e os incentivem a engajar-se em atividades físicas prazerosas, que possam incorporar-se indefinidamente ao seu estilo de vida. A maioria dos trabalhos de intervenção já realizados sobre promoção de atividade física em jovens foi desenvolvida nas escolas, com resultados promissores, demonstrando que a escola pode funcionar como o mais abrangente instrumento de educação para a saúde.

Considerando que as autoridades em saúde possuem o conhecimento dos efeitos benéficos da atividade física regular sobre a promoção da saúde, prevenção e reabilitação das doenças crônico-degenerativas, cabe às mesmas incluir em suas ações a realização de campanhas populacionais educativas sobre o tema, promover a incorporação pelos profissionais da saúde da prática de orientar a população sobre a importância da atividade física para a saúde e criar programas comunitários de educação para a saúde voltados para os jovens.

E quem disse que era fácil? Não há caminho sem pedras! No entanto, de forma bem resumida, elencamos dois pontos que devem servir como ponto de partida:

– Seja modelo! A criança reproduz os atos e atitudes dos pais. Esqueça o lema “faça o que eu diga, não faça o que eu faço”, isso não vai funcionar. Busque hábitos alimentares regulares e exercite-se, mostrando ao seu filho a importância disso!

– Comece o quanto antes, seja preventivo! Muitos pais só introduzem rotinas saudáveis quando a criança ou adolescente já apresentam comorbidades. Quanto mais cedo  a criança for inserida em atividades, maior a chance de manter esse estilo de vida na adolescência e idade adulta, além de menor o risco de desenvolver dislipidemia, hipertensão, diabete, obesidade e doença cardíaca.

Um grande abraço,

Dra. Rosane Azevedo, Pediatra / Dra. Maria Luiza Prado, Endocrinologista Pediátrica

Fonte: I Diretriz de Prevenção da Aterosclerose na Infância e na Adolescência