Vacina HPV

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Vacina contra HPV: acabando com os mitos!

Recentemente foi publicado uma matéria sobre a prevalência de HPV em jovens entre 16 e 25 anos. Dados preliminares do projeto POP-Brasil – Estudo Epidemiológico sobre a Prevalência Nacional de Infecção pelo HPV mostraram que a prevalência estimada da doença entre os jovens é de 54,6%, dos quais 38,4% são casos de alto risco para o desenvolvimento de câncer. Já que se trata de uma doença que pode ser evitada por vacina distribuída gratuitamente, por que tantas pessoas infectadas?

 

O vírus HPV e sua transmissão

O papilomavírus humano (HPV, da sigla em inglês human papiloma virus) é o vírus sexualmente transmissível mais comum e possui mais de 200 subtipos. Desse total, mais de 40 são facilmente transmitidos pela via sexual, com o contato direto – seja genital-genital, oral-genital ou manual-genital – da pele ou de uma mucosa infectada.

Entre eles, cerca de 12 são considerados de alto risco e podem causar câncer. Os subtipos 16 e 18, por exemplo, são responsáveis pela maioria dos casos de câncer relacionados ao HPV. Já os tipos 6 e 11 não estão associados a tumores, mas são responsáveis por 90% das verrugas em regiões de mucosas, genitais e ânus. Esses quatro subtipos mais comuns (6, 11, 16 e 18) compõem a vacina quadrivalente, distribuída no Sistema Único de Saúde.

 

Em 90% dos casos, o próprio sistema imunológico consegue derrotar o vírus no período de dois anos. O problema é que, mesmo sem sintomas, a pessoa pode transmitir para os parceiros. Também é possível que a doença só se manifeste anos após ter tido contato com alguém infectado, o que complica a tarefa de determinar quando ocorreu a infecção. Quando a infecção se manifesta, pode causar, tanto em mulheres quanto em homens, desde verrugas genitais, até câncer.

 

Como prevenir a infecção?

O uso do preservativo nas relações sexuais e a vacina contra o HVP são as principais formas de se prevenir contra as doenças causadas pelos vírus. A imunização é importante porque a camisinha não basta para proteger contra a infecção, já que o vírus pode estar presente em áreas que não estão cobertas pelo preservativo, como as mucosas. Desde 2014 o Ministério da Saúde oferece a vacina a crianças e adolescentes no Calendário Nacional de Imunização.

 

A Vacina

A vacina contra o vírus do papiloma humano (HPV) está disponível gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS) desde 2014. O esquema vacinal é composto por 2 doses, com intervalo de 6 meses entre elas. Atualmente é direcionada para os seguintes grupos:

  • Meninas de 9 até 14 anos;
  • Meninos de 12 a 13 anos;
  • Pessoas com baixa imunidade entre 9 e 26 anos: transplantados de órgãos sólidos, de medula óssea ou pacientes oncológicos – esquema vacinal com 3 doses;
  • Homens e mulheres de 9 a 26 anos vivendo com HIV/Aids – esquema vacinal com 3 doses.

A vacina oferecida pelo SUS é a quadrivalente, que oferece proteção contra os subtipos 6, 11, 16 e 18, com um índice de 98% de eficácia, segundo o governo. Os subtipos 6 e 11 são ligados ao surgimento de 90% das verrugas na região genital e anal. Já o 16 e o 18 foram relacionados a 70% dos casos de câncer do colo do útero, também são responsáveis por cerca de 80% dos cânceres de ânus e 50% dos casos de câncer de vagina, vulva, pênis e sistema orofaringe.

O Ministério da Saúde ressalta que a vacina disponibilizada é a mesma utilizada em mais de 130 países, com mais de 200 milhões de doses distribuídas, fazendo parte de mais de 80 programas nacionais de imunizações, e que sua segurança e eficácia contra os tipos mais incidentes de HPV ligados ao câncer estão estabelecidas e amplamente reconhecidas. Em 20 anos de investigação e estudo, o Comitê Consultivo Global da Organização Mundial da Saúde para Segurança da Vacina (GACVS/OMS) não encontrou qualquer problema de eficácia e segurança com as vacinas HPV, tendo emitido vários relatórios a este respeito.

 

Derrubando mitos

Mesmo com todos os riscos da infecção pelo HPV já conhecidos, a adesão à vacinação enfrenta alguns desafios como o próprio público-alvo, o temor dos pais de que a vacina possa incentivar o filho ou a filha a iniciar a vida sexual mais cedo e o medo de possíveis efeitos adversos.

Um estudo que acompanhou meninas desde a infância, divididas entre as vacinadas e as não vacinadas contra HPV, mostrou que ninguém inicia a vida sexual por causa da vacina. Do mesmo jeito que oferecer anticoncepcional tampouco influencia nisso.

Outro empecilho para a ampliação da cobertura vacinal é o medo de efeitos adversos. Salientamos que a vacina é segura, pois é produzida com vírus inativados (mortos), não sendo capaz de causar a doença. Como ocorre com todas as vacinas, alguns eventos adversos podem ser observados, mas geralmente apenas reação local como dor, endurecimento e vermelhidão. Raramente, pode ocorrer febre baixa e passageira.

A síncope (desmaio), reação vaso-vagal, após injeção é uma reação conhecida após qualquer vacina ou injeção, sendo mais comum em adultos e adolescentes. Aproximadamente 60% dessas reações acontecem nos cinco minutos posteriores à aplicação e cerca de 90% ocorrem em 15 minutos. Dessa forma, esse não é um efeito exclusivo da vacina contra HPV, mas de injeções de uma forma geral. Fatores predisponentes (medo de agulhas e injeções, idade) e manifestações de pré-síncope (ansiedade, sudorese, sensação de falta de ar) podem indicar quem tem maior possibilidade de apresentar esse efeito.

No Brasil, a Sociedade Brasileira de Imunizações, a Sociedade Brasileira de Pediatria, a Sociedade Brasileira de Infectologia e Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia e a Sociedade Brasileira de Reumatologia recomendam a vacinação e corroboram com a eficácia e segurança da vacina.

E você, vai deixar de proteger seus filhos contra o câncer por causa de boatos e mentiras? Fique atento e busque informações seguras.

 

Dra. Rosane Azevedo – Pediatra / Dra. Christina Tanaka – Ginecologista e Obstetra / Dra. Carolina Barbosa – Infectologista